Dão

BREVE HISTÓRIA

A Casa de S. Matias, situada na freguesia de Tourais, concelho de Seia, recebe o seu nome por incorporar, desde 1745, uma Capela de singular expressão barroca e da evocação daquele santo – apóstolo que tomou nos “Doze” o lugar deixado vago pelo Judas infiel…

Estamos na presença de um solar tipicamente beirão, que foi aparecendo na sua beleza e austeridade granítica ao longo dos séculos, perdendo – se na memória a sua primeira pedra.


Da Serra da Estrela, à sua frente e ali tão perto, recebe a primeira luz do dia que devolve à tardinha num manto luminoso a cobrir toda a majestade da montanha ou não raras vezes num crepitar de enlouquecido colorido sobre a alvura solene da neve que a afaga.

Casa, hoje na posse de António Vicente Magalhães da Silveira Montenegro, descendente de muitas e importantes famílias que nela se entrelaçaram vindas de muitos lugares que as genealogias identificam.

Casa também de muito trabalho, com celeiros e lagares intemporais na nobreza do berço que foram do Pão, do Vinho, e do Azeite, que dali alimentaram tantas gerações.

Rotular e dar nome no século XXI, a um projeto de vinhos impregnados do carácter, seriedade e elegância daqueles cenários e lembranças de saudade, se traduz a partilha afetiva que se pretende oferecer a quem se privilegia nos seus sabores de verdade, também representa uma responsabilidade familiar que se cumpre.

A FAMÍLIA DA CASA DE SÃO MATIAS


… uma responsabilidade familiar que se cumpre: a mensagem final que abraça em rótulo as garrafas que guardam o vinho do nosso afecto.

E historiar uma Família em apertado espaço de escrita a propósito duma casa, que a referencia e lhe foi berço e ora oferece nome a um renovado projecto de vinhos, só em nota breve se consente.

Mas queremo-la verdadeira e sem amputações de essência.

Nesta Casa de Tourais, do concelho de Seia, com séculos ainda por descobrir integralmente entrelaçam-se muitos apelidos que casamentos sucessivos foram “gerando” o actual proprietário António Vicente Magalhães da Silveira Montenegro.

Uma capela de 1745, de raro esplendor barroco naquela erigida, em honra de São Matias, sob os auspícios do Padre Matias de Almeida Ferrão, na casa nascido e então a dar-lhe nome, marca-nos também o início da última terça parte da sua construção final.

Documentos vários apontam-nos Filipe Xavier de Nápoles, de finais de setecentos e por oitocentos dentro como o “amigo” maior de toda uma ancestral estrutura física, de resto por si renovada, própria duma verdadeira “indústria” agrícola que dirigiu e que a Casa de São Matias testemunha em lagares importantes quer de vinha, quer de azeite, hoje também devidamente acarinhados.

Depois vieram os Frias, heróis da Guerra Peninsular e do “Cerco do Porto”, e assim tratados em obras de historiadores reconhecidos, os Costa Nogueira, os Albuquerques Vilhena e Garcia de Mascarenhas e já no século XIX os Silveira Montenegro oriundos do Douro e produtores de “vinho fino” que vêm a ligar-se, já de Tourais, com as famílias Cabral Soares de Albergaria e Caldeira Castello Branco e Melo todas de profundas raízes beirãs.

Por todo esse tempo e até meados do século passado, o trato da vinha e o culto do vinho, e sentimo-lo assim, foi uma constante no sustento da família, pelo seu consumo directo, graciosamente estendido a parentela e amigos, e alguma comercialização já então realizada.

São inúmeros os registos de vinha e “bucados” de vinha da pertença dos muitos donos da Casa de São Matias.

Há depois duas gerações levadas da terra pelo exercício intenso do direito nos tribunais, sendo justo recordar que já antes, homens desta ciência lutaram por manter a vinha viva de seus antepassados.

Retoma-se a tradição, deste vinho nosso, agora necessariamente revitalizada por novas técnicas e exigências de procedimento, pelas mãos do proprietário, mais livre das suas lides forenses e essencialmente pelas de um seu descendente outro António da Silveira Montenegro já há muito apaixonado e experimentado nesta Arte.

O sentimento, já se adivinha, está connosco e sem o afecto saudoso em que se traduz nada se faria.

Lembramo-nos que pelo vinho se fez o primeiro milagre que as Escrituras registam na vida de Cristo, em momento de particular alegria e comunhão; e permitam-nos que essa lembrança sagrada também nos guie.

No mais, como começámos… é uma responsabilidade familiar que se cumpre, numa alegria que queremos para muitos, na saudável moderação de quem vai apreciar os Vinhos do Dão -São Matias.

António Vicente Magalhaes da Silveira Montenegro